Considere o excerto do texto “Novos letramentos pelos memes: muito além do ensino de línguas”, de Maciel e Takaki, para responder à questão
“[...] No Facebook, em outra época, foi comentada a frase Can the twitter speak? (O twitter pode falar?), fazendo analogia à famosa frase da indiana Gayatri Spivak: Can the subaltern speak? (O subalterno pode falar?), defensora da tese de que as pessoas só podem ser ouvidas se forem filiadas a um grupo preferencialmente hegemônico, ou seja, só serão ouvidas se estiverem do lado de dentro. Contudo, o ciberespaço fornece essa possibilidade de expressão, embora apenas como propagação de ideias sem estar necessariamente atrelado a um poder de decisão. Mesmo assim, devido a uma grande participação de internautas, as ideias se revestem de grandes complexidades, sobretudo com a convergência em outras mídias.
Desse modo, destacamos que, no contexto da linguagem, os memes representam modelos culturais de pensamentos, ideias, pressupostos, valores, esquemas interpretativos de fenômenos sociais simbólicos e comportamentais que são produzidos por participantes, por exemplo, em “espaços de afinidade” (Gee, 2004, p. 77). Nesses contextos, as pessoas interagem, participam e aprendem num ambiente que sugere muito mais que um mero pertencimento a determinada comunidade. Para o referido teórico, no “espaço de afinidade”, diferente do espaço da comunidade convencional, os integrantes se encontram com maior flexibilidade por questões de interesse comum e não por aquelas vinculadas à [...] classe social, gênero, etnia. Esse “espaço de afinidade” atende aos interesses de usuários que se encontram socialmente saturados por diversas tarefas e que, por isso mesmo, são interpelados a construir sentidos acessando e deixando o ambiente digital quando sentirem necessidade, sem que precisem passar por seguranças e portarias, como costuma ocorrer em clubes, parques e em outras esferas sociais”.
(MACIEL, Ruberval Franco; TAKAKI, Nara Il. Novos letramentos pelos memes: muito além no ensino de línguas. In: JESUS, D.; MACIEL,R. (Orgs.). Olhares sobre tecnologias digitais: linguagens, ensino, formação e prática docente. Campinas: Pontes, 2015).
Ao introduzir o tema no primeiro parágrafo, os autores fazem referência a uma frase famosa e, em seguida, a relacionam com a condição para que as pessoas sejam ouvidas. Ao longo do texto, no entanto, apresentam um contraponto à ideia inicial.
Qual alternativa sintetiza, na sequência, essa oposição?