Considere o fragmento de poema a seguir, de autoria de Manoel de Barros.
MATÉRIA DE POESIA
1.
Todas as coisas cujos valores podem ser
Disputados no cuspe à distância
Servem para poesia
(...)
Terreno de 10x20, sujo de mato – os que
nele gorjeiam: detritos semoventes, latas
servem para poesia
(...)
As coisas que não levam a nada
têm grande importância
Cada coisa ordinária é um elemento de estima
(...)
Tudo aquilo que leva a coisa nenhuma
e que você não pode vender no mercado
como, por exemplo, o coração verde
dos pássaros,
serve para poesia
As coisas que os líquenes comem
— sapatos, adjetivos —
têm muita importância para os pulmões
da poesia
Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia
(...)
Ao considerar os trechos transcritos, é correto afirmar que: