Considere o seguinte trecho da peça Lisbela e o Prisioneiro:
LELÉU. (...) Te lembras quando a gente trabalhava nos dramas?
LAPIAU. Se me lembro? Ora se! Peça formidável era aquela: Meu Único Progenitor.
LELÉU. E a Paixão de Cristo? A Paixão de Cristo, rapaz. Aquilo é que era uma peça. (...)
CITONHO. Mas espere, você também já trabalhou na ribalta, Leléu?
LAPIAU. E era grande. Tinha uma peça que ele fazia o papel de Remorso e eu era o Crime. Quando a gente aparecia em cena, os dois, palmas era lixo. Mas aquilo era uma peça de entortar o cano.
LELÉU. O Filho Amaldiçoado.
LAPIAU. Não, maldito.
LELÉU. Ah, sim. O Filho Maldito.
CITONHO. Mas sim senhor. O homem também já foi artista dramático! Afinal de contas, o que é que você ainda não fez na vida, rapaz? (...)
LELÉU. Uma vez, Citonho, na Semana Santa, eu fui o Cristo e o jumento empacou, você já viu? Na entrada de Jerusalém. Cristo fazendo tudo que era de milagre, mas não havia jeito de tirar o jumento do lugar. Tive que entrar a pé em Jerusalém. E com uma raiva danada do Jumento.
No trecho transcrito acima, a intertextualidade se dá na forma de