Considere os fragmentos da obra “Livro sobre nada”, para responder à questão.
I
"...As coisas tinham para nós uma desutilidade poética. Nos fundos do quintal era riquíssimo o nosso dessaber. A gente inventou um truque para fabricar brinquedos com palavras..."
II
“o pai morava no fim de um lugar.
Aqui é lacuna de gente _ ele falou:
Só quase que tem bicho andorinha e árvore.
Quem aperta o botão do amanhecer é o arãquã.
Um dia apareceu por lá um doutor formado: cheio de
suspensórios e ademanes.
Na beira dos brejos gaviões-caranguejeiros comiam
caranguejos.
E era mesma distância entre as rãs e a relva.
A gente brincava com terra.
O doutor apareceu. Disse: Precisam de tomar
anquilostomina.
Perto de nós sempre havia uma espera de rolinhas.
O doutor espantou as rolinhas.”
(BARROS, M. Livro sobre nada. Rio de Janeiro:Record, 2001.)
Em referência aos fragmentos apresentados, pode-se afirmar que
I. apresentam exercícios poéticos “descoisificando” o mundo, buscando uma nova forma de organizá-lo. Nos versos, ocorrem neologismos e combinações de palavras que invertem os significados com sentido novo e “desútil”.
II. mostram o poeta com postura de uma criança que percebe o mundo grandiosamente, fato que não ocorre com o personagem “doutor”, que perde a noção desse mundo.
III. apresentam perfeita conformidade com os modelos poéticos vigentes no Modernismo de 22, especialmente no que se refere ao aspecto nacionalista.
É verdadeiro o que se afirma em