Considere os fragmentos do texto “Um rio desbocado”, para responder à questão.
Um rio desbocado
(...) Cheio de furos pelos lados, torneiral – ele derrama e destramela à toa.
Só uma tromba-d´água se engravida. E empacha. Estoura. Arromba. Carrega barrancos. Cria bocas enormes. Vaza por elas. Cava e recava novos leitos. E destampa adoidado (...).
Depois se espraia amoroso, libidinoso animal de água, abraçando e cheirando a terra fêmea.
Agora madura nos campos sossegados. Está sesteando debaixo das árvores. Se entorna preguiçosamente e inventa nocas margens. Por várzeas e boqueirões passeia manheiro. Erra pelos cerrados. Prefere os deslimites do vago, o campinal dos lobinhos.
(...) Com pouco, esse rio se entedia de tanta planura, de tanta lonjura, de tanta grandeza – volta para sua caixa. Deu força para as raízes. Alargou, aprofundou alguns braços ressecos. Enxertou suas areias. Fez brotar sua flora. Alegrou sua fauna (...).
(...) Faz isso todos os anos, como se fosse uma obrigação.
(BARROS, M. Livro de pré-coisas. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.)
Em referência ao texto, pode-se afirmar que
I. aborda a dinâmica hidrofluvial da região pantaneira e sua interdependência e interrelação com os elementos naturais que compõem sua paisagem.
II. discute a dinâmica hídrica dos rios pantaneiros cujo ciclo anual se deve, principalmente, à relação de interdependência nos sistemas hidrográfico e pluvial das áreas do planalto e da planície.
III. apresenta uma poética que permite inferir sobre a importância da dinâmica hidro-fluvial no processo de formação do relevo, incluindo os processos erosivos e de denudação que ocorrem na planície pantaneira.
É verdadeiro o que se afirma em