Considere os fragmentos do texto “Um rio desbocado”, para responder à questão.
Um rio desbocado
(...) Cheio de furos pelos lados, torneiral – ele derrama e destramela à toa.
Só uma tromba-d´água se engravida. E empacha. Estoura. Arromba. Carrega barrancos. Cria bocas enormes. Vaza por elas. Cava e recava novos leitos. E destampa adoidado (...).
Depois se espraia amoroso, libidinoso animal de água, abraçando e cheirando a terra fêmea.
Agora madura nos campos sossegados. Está sesteando debaixo das árvores. Se entorna preguiçosamente e inventa nocas margens. Por várzeas e boqueirões passeia manheiro. Erra pelos cerrados. Prefere os deslimites do vago, o campinal dos lobinhos.
(...) Com pouco, esse rio se entedia de tanta planura, de tanta lonjura, de tanta grandeza – volta para sua caixa. Deu força para as raízes. Alargou, aprofundou alguns braços ressecos. Enxertou suas areias. Fez brotar sua flora. Alegrou sua fauna (...).
(...) Faz isso todos os anos, como se fosse uma obrigação.
(BARROS, M. Livro de pré-coisas. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.)
O texto “Um rio desbocado” tem como referência a região