Costuma-se acreditar que, quando se relatam dados da realidade, não pode haver nisso subjetividade alguma e que relatos desse tipo merecem toda a nossa confiança porque são reflexo da neutralidade do produtor do texto e de sua preocupação com a verdade objetiva dos fatos.
Mas não é bem assim. Mesmo relatando dados objetivos, o produtor do texto pode ser tendencioso e ele, mesmo sem estar mentindo, insinua seu julgamento pessoal pela seleção dos fatos que está reproduzindo ou pelo destaque maior que confere a certos pormenores.
A essa escolha dos fatos e à ênfase atribuída a certos tipos de pormenores dá-se o nome de viés.
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Nas campanhas políticas, órgãos da imprensa, dizendo-se imparciais e comprometidos com a neutralidade da informação, não podem manifestar claramente suas preferências partidárias. Mas estes acabam encontrando maneiras veladas de fazer propaganda, como, por exemplo, a prática do viés.
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Para não cair na ingenuidade e para não se deixar levar pela malícia do produtor do texto, o leitor atento deve procurar reconhecer todo tipo de viés, pois essa é uma das formas de manipular o texto, pela qual o escritor cria uma imagem positiva ou negativa de um certo dado da realidade, fingindo estar sendo neutro.
PLATÃO e FIORIN. Para entender o texto – leitura e redação. São Paulo: Ática, 1992 (fragmentos)
Considerando a natureza didática desse texto, os autores objetivam