Daí a pouco, em volta das bicas era um zum-zum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomoda mente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundavase. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam... (Aluísio Azevedo, O Cortiço)
Afonso Romano de Sant’Anna, em sua análise sobre O Cortiço, define o romance, no que tange à filiação ideológica, como contra-ideológico, na medida em que seu autor, “teria praticado em relação à série social uma narrativa contra-ideológica, apontando as falhas do sistema ao denunciar a exploração dos cortiços”, e ideológico, quando, em relação à série literária, “cumpre à risca os preceitos naturalistas seguindo de perto o modelo europeu”.
As assertivas abaixo evidenciam aspectos naturalistas da obra, EXCETO