Desde a morte do pai, Anthony Simpson administrava a fábrica da família com mais dois irmãos. Ela não diferia muito de tantas outras fiações e tecelagens de Manchester: um prédio retangular de quatro andares, feito de tijolos vermelhos e precocemente envelhecido. (...) Num ambiente por demais abafado e úmido, trabalhavam cerca de 300 pessoas. Com exceção de uns poucos fiandeiros, tecelões, marceneiros, mecânicos, escreventes e secretários, a maioria era de operários não especializados. E destes, a maior parte era de mulheres jovens e crianças. Enquanto no inverno o dia de trabalho começava às 6 horas da manhã e terminava por volta da 8 da noite, nas estações mais quentes a jornada podia estender-se desde 5 até 9 ou 10 horas da noite.
Simpson (...) passava o dia inteiro na empresa, observando todos os detalhes da montagem dos novos teares... Com eles, poderia em breve, duplicar a produção de tecidos com menor emprego de mão de obra.
Joan Fletcher estava realmente impressionado com todo aquele aparato técnico (...) No fundo, porém, o que queria era conhecer um pouco da vida daquelas mulheres humildes e silenciosas, sempre de pé, atentas aos movimentos das máquinas. (...) - Você gosta de seu trabalho?
Gosto – respondeu a jovem... – . Cuidar dos teares não é difícil, o barulho me incomoda pouco, e depois a gente precisa mesmo trabalhar. Mas a gente fica muitas horas aqui... No fim do dia, estamos mortos de cansados. E ainda fazemos o mesmo trabalho dos homens, ganhando menos que eles.
(TEIXEIRA, Francisco M. Revolução Industrial. São Paulo, Ática, 1995, Col. O Cotidiano da História. p. 12, 14 e 16).
De acordo com o texto acima sobre as condições de trabalho nas fábricas inglesas, a composição da mão de obra e o papel da mulher na produção, podemos afirmar: