Desde o século XVII interesses luso-brasileiros cristalizam-se nas áreas escravistas sul-americanas e nos portos africanos de trato [tráfico negreiro]. Em contraponto ao intercâmbio direto das conquistas com a Metrópole, rotas bilaterais vinculam diretamente o Brasil à África Ocidental. No século XVIII, quando as estatísticas passam a ser mais acuradas, se verifica que apenas 15% dos navios entrados no porto de Luanda vinham da Metrópole. Todo o resto da navegação para Angola — muitas vezes carregando mercadorias brasileiras (mandioca, cachaça etc.) e não europeias (tecidos asiáticos) — saía do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recife.
(Luiz Felipe de Alencastro. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, 2000. Adaptado.)
No excerto, o historiador destaca