Desembarcamos
os ferros foram lançados
no porto e nos pulsos
enquanto fomos expulsos
da vida e do continente
estando sujeitos ao pulsar
de incríveis sentimentos
e ao sabor
das ondas e das contingências
rondamos em redor
das continências dos guardas.
Depois da viagem
da travessia e do enjoo
nos colocaram em uma sala
tiraram nossa roupa
nos revistaram, nos vestiram
nos revestiram de oco
e fizeram a chamada.
Ganhei um número de registro
e por um instante
perdi as esperanças.
(Heloísa Buarque de Hollanda e Carlos Alberto Messeder Pereira. Poesia jovem – anos 70, 1982.)
Pela leitura do poema, é correto afirmar que o eu lírico