Desnutridos, maltrapilhos e sujos, os marinheiros reuniam meios propícios para serem vítimas de doenças infectocontagiosas, já que fungos, bactérias, vírus, protozoários, toda a sorte de parasitas, encontravam nas embarcações um ambiente ideal para a sua proliferação. As causas mais frequentes de óbito a bordo eram febres de origens diversas e distúrbios digestivos. Dentre essas doenças encontravam-se a febre tifoide, varíola, sarampo, difteria, escarlatina, caxumba, coqueluche, tétano e tuberculose. Eventualmente, a peste bubônica acompanhava os viajantes; nas regiões mais frias, as afecções pulmonares eram comuns; e no calor dos trópicos, outras tantas doenças faziam vítimas. A costa da África, onde grassava a malária, era considerada um inferno para os europeus, que lá morriam aos milhares. Um exemplo entre muitos é o relato de Frei Luis de Souza (1555-1632), que escreveu sobre o destino de uma armada portuguesa de 1528: “seiscentos doentes! Não espante o número, em frente do que vou dizer-vos. A armada de Nuno da Cunha já referida que levava 2.500 homens, deixara 200 doentes em Zanzibar, 150 em Melinde, outros 200 levou a malignidade do ar pestilencial de Mombaça; em Moçambique se enterravam 400!”
Cristina B. M. Gurgel e Rachel Lewinsohn. A medicina nas caravelas ‒ século XVI. In: Cadernos de História da Ciência. Instituto Butantan, v. 6, n. 2, São Paulo, jul./dez.2010 (com adaptações).
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