DEZ ANOS DEPOIS, POEIRA TÓXICA AINDA MATA PELO 11 DE SETEMBRO
Pulverização do WTC liberou substâncias nocivas em Manhattan; mais policiais morreram por poeira do que diretamente nos ataques
Pessoas tentam se proteger de poeira produzida por colapso das Torres Gêmeas ao caminhar no sul de Manhattan no 11 de setembro de 2001
O nome mais recente incluído na lista de mortos pelos ataques do 11 de setembro ao World Trade Center (WTC), em Nova York, não se refere a alguém atingido diretamente pelo choque dos aviões ou pelo posterior colapso das Torres Gêmeas. Jerry J. Borg, que morreu aos 63 anos em 15 de dezembro de 2010, foi considerado em 17 de junho a vítima 2.753 dos ataques por adoecer em consequência da pulverização das torres, em 2001.
Jerry trabalhava como contador em um prédio a cerca de uma quadra do WTC. Na terça-feira dos atentados, ele e seus colegas tiveram de deixar o edifício e, no meio do caos no sul de Manhattan, o contador caminhou alguns quilômetros até sua residência, na rua 51. Durante grande parte do trajeto, ele respirou a chamada "poeira tóxica", expelida pelo desabamento das Torres Gêmeas e contendo desde ferro e vidro pulverizados até amianto e chumbo – substâncias reconhecidamente cancerígenas se ingeridas, inaladas ou absorvidas pela pele.
De acordo com o jornal Daily News, de Nova York, mais policias morreram nos meses e anos seguintes ao 11 de setembro por cânceres causados pelo contato com os destroços das torres do que no dia dos ataques. Oficialmente, 23 policiais morreram nos desabamentos. Mas, desde então, 45 oficiais que trabalharam no Marco Zero (local onde ficavam os prédios do WTC) morreram de câncer, enquanto centenas ainda lutam contra a doença.
Laura Crowley, a médica responsável por medicina preventiva no hospital Mount Sinai de Nova York, disse ao iG que várias doenças podem estar ligadas à poeira tóxica do WTC. "Tosse persistente, asma, doença crônica dos pulmões, bronquite, dores de cabeça, sangramento do nariz, doença gastrointestinal, refluxo ácido, sinusite, apneia, perda do olfato e do funcionamento normal dos pulmões são algumas delas. Alguns pacientes melhoram com remédios, outros não, e ficarão doentes para o resto da vida", disse.
Em agosto de 2009, membros do Centro Médico do Mount Sinai publicaram um estudo afirmando que observaram um "número maior do que o normal" de mieloma (câncer na medula óssea) e tumor nos ossos entre pessoas que trabalharam nos escombros do WTC com idade inferior a 45 anos. "Mais de 60 mil pessoas, entre bombeiros, policiais e civis, estão inscritas em programas de saúde pública ligados ao WTC", de acordo com o estudo.
Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/11desetembro/dez+anos+depois+poeira+toxica+ainda+mata+pelo+11+de+setembro/n1597174401800.html> Acesso em: 13/09/2011.
A inalação do amianto tem como consequência a fagocitose das fibras, nos pulmões, pelos macrófagos (células de defesa). Como não há digestão das fibras, ocorre a liberação de enzimas responsáveis pela lise das células, afetando o pulmão, com formação de um tecido fibroso de cicatrização, com diminuição da capacidade pulmonar. O mal causado pela inalação do amianto é a asbestose (asbesto = pó de amianto). As estruturas citoplasmáticas rompidas pela inalação e fagocitose do amianto são