Dois hambúrgueres, alface, queijo e...
No mar de incógnitas e incertezas que cerca o futuro dos jornais, há pelo menos uma crença mais próxima de consenso, a de que a possibilidade de sobrevivência do impresso está na produção de um conteúdo diferentemente do jornalismo fast food servido na internet. O cardápio será mais seletivo, com menos pautas e mais profundidade e reflexão. Claro, não há lógica em bancar os altos custos do papel e da rede distribuição para entregar nas mãos do leitor o que ele já leu ontem no site.
Ao mesmo tempo, essa lógica não pode ignorar que toda transição comporta o que foi e o que há de vir: é preciso descobrir o futuro com os pés no presente, ainda mais quando é hoje que paga as contas do que se anuncia como o amanhã.
Já está em prática a primeira parte da equação; reduziu-se a pauta do impresso, embora mais por necessidade de cortar custos do que por ação planejada em direção a um novo modelo. A busca por profundidade no conteúdo, ao contrário, parece ter andado para trás.
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As duas coberturas foram de uma pobreza franciscana. Sem análises, bastidores ou diferenciais sobre o noticiado no dia anterior. Fast food ainda, e servido frio.
Vera Guimarães Martins (ombudsman). Folha de S. Paulo. 12 abr. 2015.
Em relação ao objetivo do texto, pode-se afirmar que tem teor de