Dono de uma arguta percepção sobre a realidade, Lima Barreto declara, em relação às comemorações do Centenário da Independência do Brasil, por ele testemunhada:
“O que se nota, nas atuais festas comemorativas da passagem do centenário da proclamação da Independência do Brasil, é que elas se vão desenrolando completamente estranhas ao povo da cidade. O observador imparcial não vê nele nenhum entusiasmo, não lhe sente no ânimo nenhuma vibração patriótica. Se não há, na nossa pequena gente, indiferença, há pelo menos, incompreensão pela data que se comemora. [....] Os tempos estão bicudos; tudo está pelos olhos da cara. Um pobre chefe de família tem que pensar constantemente no dia de amanhã. Terá ele tempo de impressionar-se com festividades patrióticas em que mais predominam jogos de bola e outras futilidades que mesmo manifestações sérias de um culto ao país e seu passado? [...] Disse no começo destas breves linhas que o povo não se associava às festas do Centenário. Enganei-me. Às esportivas, ele se associa de bom grado. A elas, e às de luminárias e às paradas militares. O povo saberá que parentesco elas têm.”
Fonte: Lima Barreto. Toda crônica, 2004.
Sobre o texto, pode-se afirmar que: