Duas coisas Antônio decidira: nunca se alimentar de sangue humano nem dormir em caixão. Se não quero ser um vampiro, o melhor é não fazer como eles.
Por isso continuou a passar o dia entalado no barril e, à noite, chupava o sangue das ratazanas que infestavam o porão
Vidinha miserável.
A tripulação subalterna não passava muito melhor, obrigada a comer diariamente meio quilo de biscoito duro, salgado, mofado, fedorento e com as bordas comidas por baratas
Os dias foram passando
De Lisboa, tomando o rumo Sul-Sudoeste, chegaram às ilhas Canárias a 14 de março de 1500. No dia 22 atingiram o arquipélago de Cabo Verde.
Durante a noite uma das naus desapareceu. Antônio teve certeza de que o Velho a afundara, matando cento e cinquenta homens apenas para se vingar de seu comandante, Vasco de Ataíde
No dia 29 de março enfrentaram uma calmaria que durou dez longos dias. As provisões de água e comida foram acabando.
O Velho aproveitou para matar um besteiro e dois soldados. Ninguém se importava mais. Foram atirados para fora da nau junto com outros, vítimas de escorbuto e diarreia.
Os religiosos tentavam levantar os ânimos rezando missas no convés e improvisando encenações sacras, a que ninguém queria assistir.
Foi durante aquela calmaria, jogando cartas escondido dos padres, que Antônio aprendeu a profissão que exerceria nos cinco séculos seguintes.
JAF, Ivan. O vampiro que descobriu o Brasil. 5ª ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 11-12
Inserindo o fragmento destacado no contexto do universo da obra ‘O vampiro que descobriu o Brasil’, é improcedente o que se afirma