Durante a época em que chefiou a Comissão de Reconhecimento do Alto Purus (1904-1905), Euclides da Cunha estabeleceu-se, por um breve período, na cidade de Manaus. Em uma das cartas datadas desse período, o escritor expôs suas impressões sobre a cidade:
[...] caí na vulgaridade de uma grande cidade estritamente comercial. Comercial e insuportável. O crescimento abrupto levantou-se de chofre fazendo que trouxesse, aqui, ali, salteadamente entre as roupagens civilizadoras, os restos das tangas esfiapadas dos tapuias. Cidade meio caipira, meio europeia, onde o tejupar1 se achata ao lado de palácios e o cosmopolitismo exagerado põe ao lado do ianque espigado o seringueiro achamboado2 [...].
(Euclides da Cunha. Correspondência de Euclides da Cunha, 1997.)
1 rancho.
2 grosseiro.
A descrição crítica e negativa desse ambiente urbano mostra-se, contudo, rica em informações sobre a história da sociedade e da economia amazonenses, no início do século passado. Euclides da Cunha descreve uma cidade