E, afinal, pergunta ele [Rousseau], como é esse negócio de “ricos” e “pobres”, como é que é? Esta desigualdade, para Rousseau, não é “natural”, não decorre da Natureza − pois naquela época se falava assim − do próprio Homem. Ela decorre da história dos homens e das relações múltiplas que entre eles se estabelecem e que provocam, como produtos derivados, uma porção de males como: a miséria e a opulência, o poder de um lado e, de outro, os pobres desditados; os governantes, de um lado, e, de outro, os pobres governados. Tudo isso, dizia Rousseau, tudo isso que vemos hoje em nossa frente, essas diferenças todas entre nobres, burgueses, camponeses, etc. não são nada naturais e precisam acabar. Sim, precisam acabar, pois é esta “desigualdade” a fonte absoluta e única de todos os males sociais.
(Luiz Salinas Fortes. O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 67)
Ao formular sua tese acerca das boas qualidades da Natureza, que fazem do homem um ser naturalmente bom, se vale Rousseau do conceito bom selvagem, que viria a prosperar entre escritores românticos brasileiros que, como