É bem verdade que, aos 24 anos e já sob o peso de alguns sucessos como a avassaladora A banda, Francisco Buarque de Holanda se sentia irritado com a chicolatria que fazia dele uma espécie de jovem ideal que as mães de classe média sonhavam em ter como filho ou genro. Numa época em que o mau comportamento procurava impor-se como valor revolucionário, ser oferecido como modelo para os bem-nascidos não era a posição que um artista consciente como o filho do sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Holanda iria querer para si, ainda mais que a imagem não era rigorosamente justa, conforme ele tentava demonstrar sempre que possível. Mas essas entrevistas confessionais, autodesmitificadoras, revelando até transgressões de adolescência, como a de eventualmente puxar carros, não tinham a força de convencimento do sorriso puro de dentes claros e sadios que ele não podia esconder. Que se há de fazer? Às vezes a gente vai contra a corrente até não poder resistir [...].
VENTURA, Zuenir. 1968: O ano que não terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
A narrativa descrita por Zuenir Ventura poderia ser encontrada num texto: