− E nesse mar revolto e incerto − diz Tio Bicho − seu Getúlio navegava no seu barquinho de papel, ao sabor do vento e das correntes ...
− E como solução para a crise − ironiza Terêncio − inventou-se o Plano Cohen.
− Hoje se sabe − diz Rodrigo − que esse documento foi forjado pelos integralistas. O Góis fingiu que acreditava nele ...
− Não. O Getúlio deixou que o Góis fingisse por ele. E lavou as mãos.
− Não fez outra coisa durante todo o seu governo senão parodiar Pilatos − diz o estancieiro. E esse plano fantástico, essa conspiração inexistente foi o pretexto para o golpe de 1937 e para o famigerado Estado Novo.
(Érico Veríssimo. O tempo e o vento. In: Joelma E. Domingues e Layla P. L. Fiusa. História: o Brasil em foco. São Paulo: FTD, 1996. p. 271)
Ao tempo do Estado Novo, Carlos Drummond de Andrade, no livro Sentimento do mundo, publicou um poema chamado “Elegia 1938”, do qual consta esta passagem, carregada de negatividade diante dos acontecimentos históricos: