É noite! Treme a lâmpada medrosa
Velando a longa noite do poeta...
Além, sob as cortinas transparentes
Ela dorme... formosa Julieta!
Entram pela janela quase aberta
Da meia-noite os preguiçosos ventos
E a lua beija o seio alvinitente
- Flor que abrira das noites aos relentos.
O Poeta trabalha!... A fronte pálida
Guarda talvez fatídica tristeza...
Que importa? A inspiração lhe acende o verso
Tendo por musa - o amor e a natureza!
E como o cáctus desabrocha a medo
Das noites tropicais na mansa calma,
A estrofe entreabre a pétala mimosa
Perfumada da essência de sua alma.
No entanto Ela desperta... num sorriso
Ensaia um beijo que perfuma a brisa... ...
A Casta-diva apaga-se nos montes...
Luar de amor! Acorda-te, Adalgisa!
(Castro Alves, “Aves da arribação”. In: Espumas Flutuantes)
Castro Alves, poeta da 3ª geração romântica no Brasil, faz amplo uso de recursos expressivos em sua obra. Nos versos transcritos, essa tendência é exemplificada por meio