"É praticamente uma guerra. As estradas estão fechadas, carros da Polícia Militar queimados, fazendeiros rondando os índios."
O relato do indígena Eliel Benites à BBC Brasil descreve a situação na manhã desta quarta-feira na fazenda Ivu, a 20 km de Caarapó (MS), cenário de conflito entre ruralistas e indígenas que deixou um índio morto e ao menos seis feridos.
Índios guarani-kaiowá entraram na fazenda no último domingo - eles reivindicam a área como terra tradicional indígena. Dois dias depois, cerca de 70 produtores rurais e funcionários cercaram o local e atacaram o acampamento montado pelos índios, que somava cerca de cem pessoas. (...).
Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36538610. Acesso em: 18.jun.2016
O texto acima expõe uma triste realidade relacionada à histórica concentração fundiária brasileira, tendo como causas:
I. A expansão das atividades agropecuárias em áreas antes ocupadas por tribos indígenas, a exemplo da comunidade guarani-kaiowá, no Mato Grosso do Sul.
II. O modelo agrário brasileiro, baseado na monocultura que requer grandes extensões de terras, demanda e incorpora novos espaços produtivos, degrada áreas de florestas nativas e expulsa trabalhadores de suas terras.
III. O aumento dos conflitos no campo nos dias atuais, tendo em vista o crescimento da demanda por matérias primas industriais por parte do grande capital, da ação histórica opressora do Estado em relação à questão fundiária e na intensificação da luta dos trabalhadores sem-terra na ocupação dos latifúndios.
IV. O elevado apoio aos grandes proprietários de terras, que produzem para exportação, em detrimento dos pequenos produtores rurais, que produzem basicamente para o mercado interno.
V. A comunidade guarani-kaiowá, além da demarcação de suas terras, reivindica desde o final dos anos 1990 a ocupação da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, hoje dividida por várias fazendas, integradas à cadeia produtiva do agronegócio.
Estão corretas