É uma geração que corresponde aos ensaios de neodemocracia marcados pela revolução de 32 e pela Constituição de 34, como a anterior representava o apogeu e a queda da democracia conservadora correspondente ao capitalismo cafeeiro.
Para falar a verdade, com os de 30 é que começa a literatura brasileira. Surgem os escritores que pouco devem ao modelo estrangeiro, os estudiosos que começam a sistematizar o estudo do Brasil e proceder à análise generalizada de seus problemas. A geração de 20 foi mais um estouro de enfants-terribles. Tem muito do personalismo faroleiro de Oswald de Andrade, que qualificava a si mesmo de “palhaço da burguesia”. A de 30 é o historicismo grande- burguês de Gilberto Freyre, e é também o realismo de Caio Prado Júnior.
(Adaptado de Antonio Candido. Textos de intervenção. S. Paulo: Duas Cidades/Editora 34, 2002. p. 239 e 240)
O texto de Antonio Candido identifica um período da História do país em que a relação direta entre o governante carismático e a massa urbana deu origem a um dos mais característicos componentes da política brasileira contemporânea: o populismo que, inaugurado durante o Estado Novo,