“Eis dois homens frente a frente: Um, que quer servir; o outro, que aceita, ou deseja, ser chefe. O primeiro une as mãos e, assim juntas, coloca-se nas mãos do segundo: claro símbolo de submissão, cujo sentido, por vezes, era ainda acentuado pela genuflexão. Ao mesmo tempo, o personagem que oferece as mãos pronuncia algumas palavras, muito breves, pelas quais se reconhece o homem de quem está na sua frente. Depois, chefe e subordinado beijam-se na boca: símbolo de acordo e de amizade. Eram estes – muito simples e, por isso mesmo, eminentemente adequados a impressionar espíritos tão sensíveis às coisas vistas – os gestos que serviam para estabelecer um dos vínculos mais fortes que a época feudal conheceu. Para designar o superior que ela criava, não existiam outros termos além do nome, muito geral de senhor. Muitas vezes, com mais precisão, o seu homem de boca e de mãos. Mas empregam-se, também, palavras mais especificadas: vassalo, ou até aos começos do século XII, pelo menos, commendé (recomendado).”
BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal. Lisboa: Ed. 70, 1982, p. 170.
O texto acima descreve uma cerimônia comumente utilizada nos tempos medievais denominada: