Em carta à amiga Henriqueta Lisboa, Mário de Andrade escreveu, em 24/02/1940, em plena Segunda
Guerra, o seguinte:
“O mundo vai horrível, Henriqueta, jamais os crimes contra a consciência do homem foram tão
cientificamente forjados. Eu tenho absoluta certeza e é por isto que eu ainda amo o ser humano (...) que
Hitler, Stálin, Chamberlain, etc. etc. têm claríssima consciência de que são criminosos, que quando agem
arrasam o humano que ainda existe na vida, que quando falam mentem. Mas tudo é ciência, ciência de viver,
mecânica, engenharia do organismo social, resolvida em plena matemática. Hoje se faz uma revolução, se
prepara uma apoteose, se elimina um povo e se cria uma raça tão matematicamente como se calcula a
resistência de um material. Fala-se muito na bancarrota [falência] do cientificismo do século passado. Não
houve bancarrota nenhuma. Nunca estivemos tão idólatras da Ciência, nunca estivemos tão escravos do
exatismo como agora.”
(In: SOUZA, Eneida Maria de (org.). Correspondência — Mário de Andrade & Henriqueta Lisboa. São Paulo: Peirópolis / EDUSP, 2010. p. 81).
O que caracteriza a guerra contemporânea, segundo o autor, é: