Em mais um capítulo de um imbróglio político que ameaça se tornar uma crise de gravidade média, o presidente italiano Sergio Mattarella pediu ao economista Carlo Cottarelli que forme um governo de técnicos.
A escolha do ex-economista do FMI (Fundo Monetário Internacional) representa um gesto arriscado, que pode turbinar a insatisfação popular, em um país que já demonstrou estar desgostoso com o status quo político, como ficou demonstrado na eleição de 4 de março, quando nenhum partido conseguiu maioria no Parlamento.
Por isso foi articulado um acordo entre duas agremiações, que juntas obtiveram maioria no Parlamento, uma da direita nacionalista e xenófoba, outra anti-establishment e crítica ao sistema político. Um programa foi elaborado e Giuseppe Conte foi indicado como premiê, porém não teve o governo por ele organizado, de postura eurocética, aprovado pelo presidente Sergio Mattarella.
A questão é que Carlo Cottarelli, o nome indicado pelo presidente, precisará ter seu nome aprovado pela Câmara e pelo Senado e caso uma das duas casas o reprove será obrigado a convocar uma nova eleição, provavelmente em setembro ou outubro.
(Folha de São Paulo; 29/05/2018)
As agremiações políticas, respectivamente, da direita nacionalista e crítica ao sistema político, que alcançaram maioria no Parlamento italiano, na eleição de março de 2018, são: