Em meados da década de 1960, pouco antes de a oposição à Guerra do Vietnã se tornar muito comentada e difundida, fui procurado, na Universidade de Colúmbia, por um estudante de graduação de aparência mais velha, que me pediu que o admitisse num seminário com vagas limitadas. Parte de seus argumentos residia no fato de que era um veterano de guerra, tendo servido na força aérea. Enquanto conversávamos, tive um estranho vislumbre acerca da mentalidade do profissional – nesse caso, um piloto experiente −, cujo vocabulário usado em seu trabalho poderia ser descrito como “jargão interno”. Nunca vou esquecer meu choque quando, ao responder à minha pergunta insistente “O que é que você realmente fazia na força aérea?”, ele disse: “Aquisição do alvo”. Demorei mais alguns minutos para perceber que ele era um bombardeiro, cujo trabalho, claro, era bombardear. Mas ele revestia isso de uma linguagem profissional que, de certa maneira, excluía e mistificava as indagações mais diretas de alguém fora do ramo. Eu o aceitei no seminário – talvez pensando que podia mantê-lo sob meu olhar e, como incentivo adicional, persuadi-lo a abandonar o espantoso jargão. “Aquisição do alvo”, tenha dó!
(Representações do intelectual, 2005.)
Segundo o autor do texto, a expressão “Aquisição do alvo”