Em porões escuros e úmidos, esfomeados, acorrentados e em condições precárias de higiene, os milhões de africanos que vinham para as Américas pelos navios negreiros eram cercados pela presença da morte. Os que sobreviviam chegavam, muitas vezes, doentes. No início do século XIX, o tráfico de escravos foi proibido. Mas o lucrativo negócio permaneceu na ilegalidade e buscou novas rotas livres de fiscalização ao longo dos anos seguintes. Em vez da costa Oeste da África, onde está Angola, os traficantes de escravos começaram a atuar na porção Leste. Com essa mudança no trajeto marítimo, houve uma consequência: a vinda da hepatite B para o Brasil.
Hoje, os agentes causadores da hepatite B são divididos em, pelo menos, oito perfis genéticos identificados por letras de A a H. Curiosamente, a história de miscigenação brasileira se reflete na mistura desses perfis. No Brasil, há três tipos prevalentes: A (A1, da África, e A2, da Europa), D (Europa) e F (da população indígena). O menos incidente é justamente o F, o que, segundo a pesquisadora, deve ter ocorrido porque esse grupo foi quase dizimado. Por outro lado, o A1 africano é o mais encontrado no país, e foi este o investigado pelos pesquisadores.
(EM PORÕES escuros, 2019).
A partir da leitura do texto e com base nos conhecimentos sobre a hepatite B, conclui-se: