Em qualquer sociedade de tipo feudal, a lealdade dos servos se exercita em troca da segurança que o senhor pode dar. Creio que a lealdade dos jagunços, em face do chefe, tinha também um fundamento parecido: seria talvez o medo da solidão em face de uma natureza tão grandiosa, tão áspera, tão despovoada que levaria aqueles homens humildes a aderir ao grupo guerreiro, entregando-se a uma vida aventurosa em troca de uma solidariedade fraterna. A aventura: “eu avistava as novas estradas, diversidade de terras”. A ausência de fraternidade, do amor, parece ser sinal de alienação para o jagunço: “Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”, diz Riobaldo. A lealdade é, porém, o grande valor social, disseminado entre os jagunços de Grande sertão: veredas.
(Adaptado de Fernando Correia Dias. Aspectos sociológicos de Grande sertão: veredas, in Guimarães Rosa – Fortuna crítica. Org. por Eduardo de Faria Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira / INL, 1983, p. 401
O texto faz referência a um tipo de relação social que, na Idade Média, deve-se ao fato de, nesse período,