Enquanto um pregava, os outros padres ouviam em confissão. Veio primeiro a gente dos distritos, que morava longe e carecia ser despachada depressa. Depois as pessoas gradas do lugar, autoridades, comerciantes, suas famílias. Em seguida, os operários. E só no fim as crianças, que, já trabalhadas, ardiam no desejo de ajoelhar-se e contar suas faltas, tão contagioso é o exemplo das pessoas grandes, e porque, afinal, seria uma vergonha não ter pecados quando toda gente os tinha e vinha confiá-los ao padre vermelho.
ANDRADE,Carlos Drummond de. A solidão da alma. Contos de aprendiz. 10. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974. p.13.
Com base no fragmento e no conto, é correto afirmar que o narrador