Entre os brasileiros de hoje, o racismo mais se assemelha a um delito de opinião do que propriamente à tipificação de situações de opressão baseada na cor. Esta forma tênue de esconder contradições mostra o seu viés elitista. Um antidiscurso sobre o negro começa pela etiqueta, na qual figuram como “pessoas de cor”.
Entre o povão não é assim. No ano passado, sem muito alarde, o IBGE anunciou que a população negra e “parda” (sic) já era superior a 50% da população total do país. Considerando que o dado é autodeclaratório, isso quer dizer que a maioria da população é ou quer ser negra. Não é pouca coisa, pois enterra a tese de intelectuais sobre o“branqueamento” progressivo da nação, via miscigenação.
(Carlos Alberto Doria, Folha de S. Paulo, 03/04/2011)
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