“Era a tristeza.
Os dedos do pé a brincarem com a chinela. O chão lá não muito limpo. Que relaxada e preguiçosa me saíste. Amanhã não, porque não estaria lá muito bem das pernas. Mas depois de amanhã aquela sua casa havia de ver: dar-lhe-ia um esfregaço com água e sabão que se lhe arrancariam as sujidades todas! a casa havia de ver! Ameaçou ela colérica. Ai que se sentia tão bem, tão áspera, como se ainda estivesse a ter leite nas mamas, tão forte. Quando o amigo do marido a viu tão bonita e gorda ficou logo com respeito por ela. E quando ela ficava a se envergonhar não sabia aonde fitar os olhos. Ai que tristeza. Que é que se há de fazer. Sentada no bordo da cama, a pestanejar resignada. Que bem que se via a lua nessas noites de verão. Inclinouse um pouquito, desinteressada, resignada. A lua. Que bem que se via. A lua alta e amarela a deslizar pelo céu, a coitadita. A deslizar, a deslizar... Alta, alta. A lua. Então a grosseria explodiu-lhe em súbito amor; cadela, disse a rir”
Devaneio e embriaguez duma rapariga, in LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. Rio de Janeiro: Sabiá, 1960, p. 16.
No fragmento de texto acima, temos o emprego de operadores do texto narrativo.
Qual alternativa abaixo está integralmente CORRETA?