Era precisamente por ali que estacionava outro sanfonista que não esmolava nem era cego, e tocava apenas por amor à arte, ou talvez para chorar mágoas. E chorava-as tão bem que cada um que o cercava sentia as suas mágoas igualmente choradas. O artista se revelava por esta forma perfeito, extraindo, dos seus motivos individuais, melodias ajustadas às necessidades da alma dos circunstantes, que ali iam buscar expressão para sentimentos indefiníveis que os povoavam e só se traduziriam por frases musicais. [...] Proporcionando ao espírito válvulas por onde se evadem as emoções que o comprimem, a expressão – seja musical, literária ou plástica — alivia-o docemente.
ANJOS, Cyro dos. O amanuense Belmiro. São Paulo: Globo, 2006. p. 27-28.
Inserindo-se o fragmento no todo da obra, está correto o que se afirma em