Espanta verificar todo o trabalho que esta democracia exigia dos homens. Era um governo muito trabalhoso [...] Para o ateniense, o voto é assunto dos mais sérios; uma vez, trata-se de nomear os seus chefes políticos e militares, isto é, aqueles a quem o seu interesse e a sua vida vão ser confiados por um ano; outro dia, será qualquer imposto a ser estabelecido ou uma lei a ser modificada; ou será ainda sobre a guerra que deve votar, sabendo bem como terá de dar o seu próprio sangue, ou o de algum filho seu. Os interesses individuais estão inseparavelmente ligados aos interesses do Estado [...] O dever do cidadão não se limitava a votar [...] o ateniense podia ser magistrado da cidade, arconte, estratego, astínomo, quando a sorte ou o sufrágio o indicava. Vê-se quão pesado encargo era o de ser cidadão de qualquer Estado democrático, porque correspondia a ocupar em serviço da cidade quase toda a sua existência, pouco tempo lhe restando para os trabalhos pessoais e para a sua vida doméstica. Por isso, muito justamente dizia Aristóteles que não podia ser cidadão aquele homem que necessitasse trabalhar para viver.
COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p.378-380. Adaptado.
Sobre a democracia ateniense, é incorreto dizer que