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Estava eu, um dia, fazendo a lista de compras do supermercado, quando pedi à nossa empregadaque olhasse se na despensa tinha dentifrício. Uma das minhas filhas disse:
– Ih! Papai, o que é isso? Dentifrício?
– É, pasta de dente, creme dental. Você nunca ouviu falar nisso, não?
– Ninguém mais usa esta palavra, não – respondeu ela.
Fiz questão de procurar em todas as marcas de creme dental que encontrei no supermercado:
nenhuma delas usava a tal palavra. Procurei no dicionário e não encontrei. Pensei: que coisa, a palavra saiu de uso e eu não percebi!
(...)
Vocês mais velhos que forem ler estas linhas pensem um pouco em quantas palavras vocês usavam e hoje não se usam mais; é sinal de que o tempo está passando e seus netos já não vão entender muita coisa que vocês falam. É que vocês já são coroas.
– Epa! Coroa já é arcaísmo!
(Nicomedes Almeida Teixeira – “Sentimentos Paradoxais – Crônicas e Poemas” – pp. 19-20)
A narrativa explora, de forma bem humorada, uma questão relacionada à variedade linguística: