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Eu vivo num tempo de guerra
Eu vivo num tempo sem sol
Só quem não sabe das coisas
É um homem capaz de rir.
Ai triste tempo presente
em que falar de amor e flor
é esquecer que tanta gente
tá sofrendo de dor.
Todo mundo me diz
que devo cume e bebê
mas como é que eu posso comer
mas como é que eu posso beber
se eu sei que estou tirando
o que vou comer e beber
de um irmão que está com fome
de um irmão que está com sede
de um irmão.
Mas mesmo assim eu como e bebo.
Mas mesmo assim, essa é a verdade.
Dizem crenças antigas
que viver não é lutar.
Que sábio é o que consegue
ao mal com o bem pagar.
Quem esquece a própria vontade,
quem aceita não ter seu desejo
é tido por todos um sábio.
É isso que eu sempre vejo
e é isso que eu digo Não!
Eu sei que é preciso vencer
Eu sei que é preciso brigar
Eu sei que é preciso morrer
Eu sei que é preciso matar.
CORO:
É um tempo de guerra, é um tempo sem sol.
Sem sol, sem sol, sem dó.
[...]
GUARNIERI, G.; BOAL, A.; LOBO, E. Arena Conta Zumbi. Revista de Teatro SBAT, n. 378, p. 31-59, nov/dez 1970. Disponível em: https://docs.google.com/file/d/0B4HQn8t90Fh2c3E yRUd5dE01aVk/view.Acesso em: fev. 2023. (Adaptado)
No excerto acima, encontra-se a canção Vivo num tempo de guerra, de Edu Lobo, e que integra a peça teatral Arena Conta Zumbi. A peça apresenta a ponte entre o passado e o presente, uma espécie de afirmação política que, além de representar o passado histórico da escravidão, os dramaturgos analisam, por meio de antíteses, os efeitos de uma sociedade em crise.
Assinale a alternativa na qual acontece a antítese, figura de linguagem que enriquece a escrita literária com a exposição de ideias opostas.