“(Fabiano) Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.”
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. São Paulo: José Olympio, 1992, p. 20.
Vidas secas, de Graciliano Ramos, obra de referência do Regionalismo da década de 1930, nos apresenta um personagem chamado Fabiano que simboliza as misérias humanas e sociais dos moradores do Nordeste do país.
No excerto lido,