Foi Mozart, e mais decisivamente Beethoven, ambos vivendo como autônomos em Viena, dependentes da mais ampla e variada gama de recursos que pudessem engendrar para ganhar a vida, que transformaram o concerto público em veículo para música nova importante, e o fizeram mais a despeito do que em razão da complexa situação musical de Viena.
A nobreza do Império passava considerável parte de cada ano – a temporada social abrangia o outono e o inverno – na capital, cada nobre levando consigo sua Kapelle ou quaisquer músicos domésticos que empregasse. Ao mesmo tempo, embora não haja muitas provas quanto aos executantes profissionais autônomos, Viena parece tertido um acúmulo considerável deles, além dos integrantes das várias orquestras de teatro, sempre à procura de trabalho e vivendo, talvez, como Haydn vivera quando foi expulso do coro da Catedral de Santo Estevão: ele dava lições, cantava como tenor nas missas solenes da catedral, tocava violino nas orquestras de igrejas e mosteiros e todas as noites tocava onde podia – na Hausmusic dos nobres, ou em serenatas de rua ganhando o que pudesse.
(Henry Raynor, História Social da Música)
Do texto é possível inferir que: