Globalização e doença
1 Uma destacada faceta das consequências da
globalização sobre a saúde é a possibilidade da
transnacionalização das doenças transmissíveis,
4 particularmente as novas e as reemergentes. Com as facilidades
das viagens internacionais e a difusão do comércio em escala
planetária, microrganismos podem ser rapidamente
7 transportados, por meio de pessoas, animais, insetos e
alimentos, de um país a outro e de um ponto a outro do globo.
Exemplos recentes são as propagações de microrganismos
10 relacionados à SARS, à dengue e à gripe aviária.
A transmissão interpessoal das febres hemorrágicas
virais, como os casos das febres Marburg e Ebola, na África,
13 que apresentam grande potencial epidêmico, é facilitada pelos
rápidos deslocamentos em viagens aéreas internacionais, o que
aponta para a necessidade e a importância do reforço das redes
16 globais de diagnóstico e vigilância em saúde, operadas pela
OMS e parceiros ao redor do mundo.
Um caso já clássico é a difusão do vírus da AIDS, que
19 surgiu possivelmente em região remota da África e se espalhou
por todo o mundo. Até mesmo aves migratórias podem ser
responsabilizadas pela difusão global de doenças infecciosas,
22 como é o caso da gripe aviária e do vírus da febre do Oeste do
Nilo. Infecções como Salmoneloses e E. coli têm sido
frequentemente relacionadas com contaminação de alimentos
25 frescos ou industrializados que circulam entre países.
Outra dimensão importante da globalização da saúde
são as reformas setoriais orientadas ao mercado, preconizadas
28 por organizações internacionais. Elas resultaram em mais
iniquidades em saúde. Não há espaço para a saúde pública ou
para a promoção da saúde nessas reformas. Seu tema exclusivo
31 são a atenção médica aos indivíduos e os esquemas de
financiamento. O mesmo se pode dizer dos modelos
importados de formação de recursos humanos, pouco ajustados
34 aos padrões culturais ou aos sistemas nacionais de saúde.
Paulo M. Buss. Globalização, pobreza e saúde. In: Ciência e Saúde Coletiva. Vol. 12, n.º 6, Rio de Janeiro, nov./dez., 2007. Internet: <www.scielo.br> (com adaptações)
Seriam mantidas a coerência e a coesão do texto caso se substituísse a expressão