Gregório de Matos tanto exprimiu os sentimentos e a ideologia da Contrarreforma, em poemas contritos e moralistas, vazados no estilo barroco, como denunciou a sociedade seiscentista da “cidade da Bahia”, dominada pelas negociatas e falcatruas no comércio do açúcar. Sua perspectiva crítica, a um tempo rancorosa, enérgica e desbocada, deu vazão à série de poemas satíricos, cujos alvos eram os clérigos viciosos, os “mulatos desavergonhados”, os conselheiros corruptos, os falsos “fidalgos caramurus”. Mas há quem veja em sua atitude muito mais o despeito de um aristocrata deslocado do que a indignação de fundo social. O que ninguém contesta é seu talento de poeta.
(GOMES, Raimundo Piva. Inédito)
A sátira mordente contra os poderosos não foi exclusividade de Gregório de Matos: no Modernismo de 22, há muita acidez e muita crítica na sátira que Oswald de Andrade faz aos