Grita, xinga nomes. Ninguém o atende,
ninguém o vê, ninguém o ouve. Assim deve ser o
inferno. Pirulito tem razão de ter medo do inferno.
É por demais terrível. Sofrer sede e escuridão.
(...) Seu pai morrera para mudar o destino dos
doqueiros. Quando ele sair será doqueiro
também, lutar pela liberdade, pelo sol, por água e
de comer para todos. Cospe um cuspo grosso. A
sede aperta sua garganta. Pirulito quer ser padre
para fugir daquele inferno.
O trecho acima integra o romance Capitães de Areia, de Jorge Amado. Descreve a situação de Pedro Bala, preso no reformatório, confinado num cubículo escuro, com fome, sede e humilhação de não poder ficar de pé. A propósito deste trecho, pode-se afirmar que