Hans Jonas (1903-1993) defende a necessidade de humanização da técnica mediante uma reflexão ética em razão da ambivalência dos efeitos da tecnologia que transcendem os limites do espaço. Ele distingue a técnica tradicional da técnica moderna, a saber, a técnica como uma atividade artesanal da técnica associada ao desenvolvimento da ciência, que se transforma em tecnologia. A tecnologia por sua vez passaria por revoluções marcadas por estes estágios ou etapas: mecânico, químico, elétrico, eletrônico e, por fim, o biológico. A última etapa das revoluções tecnológicas
“(...) representaria uma nova - e possivelmente a última - etapa da revolução tecnológica, aquela que transforma o homem em objeto da técnica. Essa possibilidade (...) alcançou em nossos dias uma manifestação prática sem precedentes, principalmente com a biologia molecular e a programação genética, além das técnicas de controle de comportamento da vida. Para Hans Jonas, tais procedimentos se tornaram moralmente possíveis devido à chamada neutralização metafísica do homem.”
(Fonte: OLIVEIRA, Jelson. Compreender Hans Jonas. Petrópolis: Vozes. 2014, p. 115 , adaptado).
Assim, uma reflexão ética sobre a técnica seria
“(...) uma reflexão sobre aquilo que é humanamente desejável e aquilo que deve determinar a escolha – em suma, sobre a ‘imagem do homem’ - se torna um imperativo mais urgente do que qualquer outro jamais imposto à inteligência do homem mortal.”
(Fonte: JONAS, Hans. Ensaios filosóficos: da crença antiga ao homem tecnológico. Tradução de Wendell Evangelista Soares Lopes. São Paulo: Paulus, 2017, p. 121, adaptado).
Em relação aos textos, é possível afirmar que:
I. A reflexão ética sobre a técnica se dá em razão dos produtos desenvolvidos em função dos avanços da ciência para a humanidade.
II. A exigência de reflexão ética depende da consideração do impacto da tecnologia acerca do futuro do ser humano.
III. A certeza de que os avanços tecnológicos são benéficos à humanidade faz com que eles constituam uma nova imagem metafísica do homem.
IV. A neutralização metafísica do homem indica a falta de um limite ético quanto à ação da tecnologia sobre a vida humana.
Estão corretas apenas