ENEM/OBJ 2025 · Questão 35
História política e gramatical dos pronomes
Você sabe como se dizia ele e ela em latim clássico? Não se dizia. Isso mesmo, no latim clássico não existiam pronomes da chamada "terceira pessoa” (que é, na verdade, uma “não pessoa”, já que não participa do discurso). De fato, mundo afora, existem centenas de línguas que não têm pronomes específicos para designar aquilo que é o “assunto” do qual a primeira e a segunda pessoa falam (...)
Um fato muito interessante é que, em muitas e muitas línguas que apresentam pronomes de "terceira pessoa”, esses pronomes derivam de demonstrativos. Os pronomes he, she e it do inglês, por exemplo, remontam a demonstrativos indo-europeus, ou seja, significavam, lá por volta de 5.000 antes da Era Comum, “este”, “aquela”, "isso" (...)
Em resumo: nas variedades faladas do latim imperial (também chamado “latim vulgar") surgiram pronomes pessoais para a chamada "terceira pessoa”, descendentes de ille e illa que resultaram em ele e ela, no caso do galego e de seu filho pródigo, o português. E como foi que surgiram? Surgiram porque as pessoas que falavam essas variedades sentiram a necessidade desses elementos gramaticais para levar adiante de forma satisfatória a interação social por meio da linguagem (...)
Por que estou contando toda essa história? Porque, assim como no passado, hoje também, exatamente aqui e agora, há pessoas, falantes da língua, que expressam a necessidade social (e, consequentemente, política) de empregar novos pronomes que permitam uma referência anafórica sem que a categoria gramatical do gênero esteja morfologicamente marcada (...)
BAGNO, M. Disponível em: https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/historia-politica-e-gramatical-dos-pronomes? Acesso em 15 de jun. 2021
O autor defende seu ponto de vista sobre os usos sociais da língua por meio
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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