I.
Bem! Vê lá! Isso já me vai cheirando mal!... Ora dizes uma coisa; ora dizes outra!... O mês passado respondeste-me na varanda: “Pode ser” e agora, às duas por três, dizes que não!
Sabes que só quero a tua felicidade... Não te contrario... Mas tu também não deves abusar!...
— Mas, gentes, o que foi que eu fiz?...
— Não estou dizendo que fizeste alguma coisa!...Só te aviso que prestes toda a atenção na tua escolha de noivo!...Nem quero imaginar que serias capaz de escolher uma pessoa indigna de ti!...
— Mas, como, papai?... Fale claro!
— Isto vai a quem toca! Não sei se me entendes!...
— Ora, seu Manuel! – exclamou Maria Bárbara, levantando-se e pousando no chão o enorme cachimbo de taquari do Pará.
— Você às vezes tem lembranças que parecem esquecimento! Pois então, uma menina, que eu eduquei, ia olhar... — e gritou com mais força – para quem, seu Manuel!?
— Bem, bem...
— Vejam se não é mesmo vontade de provocar uma criatura!...
— Bem, bem! Eu não digo isto para ofender!.... — desculpou-se o negociante. — é que temos cá um rapaz bemaparecido que...
— Um cabra, berrou a sogra. — E era muito bem-feito que acontecesse qualquer coisa, para você ter mais cuidado no futuro com as suas hospedagens. Também só nessa cabeça entrava a maluqueira de andar metendo em casa crioulos cheios de fumaças! Hoje todos eles são assim! Súcia de apistolados!
AZEVEDO, Aluísio. O mulato. São Paulo: Martin Claret, 2006. p. 107.
II.
Então porque um sem-vergonha desordeiro se arrelia, bota-se um cabra na cadeia, dá-se pancada nele? Sabia perfeitamente que era assim, acostumara-se a todas as violências, a todas as injustiças. E aos conhecidos que dormiam no tronco e aguentavam cipó de boi oferecia consolações:
— “Tenha paciência. Apanhar do governo não é desfeita.”
RAMOS, Graciliano. Cadeia. Vidas secas. 54. ed. São Paulo: Record, 1985. p. 33.
O texto I exemplifica uma literatura voltada para