I.
Houve tempo em que os meus olhos
Gostavam do sol brilhante,
E do negro véu da noite,
E da aurora cintilante.
[...]
Oh! Quadra tão feliz! — Se ouvia a brisa
Nas folhas sussurrando, o som das águas,
Dos bosques o rugir; — se os desejava,
— O bosque, a brisa, a folha, o trepidante
Das águas murmurar prestes ouvia.
Se o sol doirava os céus, se a lua casta,
Se as tímidas estrelas cintilavam,
Se a flor desabrochava envolta em musgo,
— Era a flor que eu amava, — eram estrelas
Meus amores somente, o sol brilhante [...]
DIAS, Gonçalves. Quadras da minha vida. Antologias. São Paulo: Melhoramentos, 1966. p. 72-73.
II.
É noite. A Lua, ardente e terna,
Verte na solidão sombria
A sua imensa, a sua eterna
Melancolia...
[...]
No largo, sob os jambolanos,
Procuro a sombra embalsamada.
(Noite, consolo dos humanos!
Sombra sagrada!)
Um velho senta-se a meu lado.
Medita. Há no seu rosto uma ânsia...
Talvez se lembre aqui, coitado!
De sua infância.
BANDEIRA, Manuel. O inútil luar. Estrelas da vida inteira: poesias reunidas. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1970. p. 25.
O texto I (romântico) e o II (modernista) têm em comum a ideia de que a