I.
Sucede, Marília bela,
à medonha noite o dia;
a estação chuvosa e fria
à quente, seca estação.
Muda-se a sorte dos tempos;
só a minha sorte não?
[...]
Nenhum dos homens conserva
alegre sempre o seu rosto;
depois das penas vem gosto,
depois do gosto aflição.
Muda-se a sorte dos homens;
só a minha sorte não?
GONZAGA, Tomás Antônio. Lira XXXVI. Marília de Dirceu. São Paulo: Círculo do Livro, s.d. p. 90-91.
II.
Meu Deus! e quantas eu amei!... Contudo
Das noites voluptuosas da existência
Só restam-me saudades dessas horas
Que iluminou tua alma d’inocência!
[...]
E por três noites padeci três anos,
Na vida cheia de saudade infinda...
Três anos de esperança e de martírio...
Três anos de sofrer – e espero ainda!
AZEVEDO, Álvares de. Saudades. Lira dos vinte anos. São Paulo: FTD, 1994. p. 97.
Os textos, embora pertençam a estilos de época diferentes, expressam, em comum,