Colocar a questão da imigração para dentro de campo pode ser um erro, na avaliação do correspondente do jornal L’Équipe no Brasil: “Vinte anos depois está começando a surgir de novo esse conceito. Os políticos vão querer usar, claro, essa onda para dizer que está tudo bem. Mas nada mudou 20 anos depois”.
Misturar o time nacional com a questão dos imigrantes é corriqueiro na França. Já houve polêmica entre o expresidente Nicolas Sarkozy e o lateral Lilian Thuram. Na época, Sarkozy era ministro do interior e usou uma palavra pejorativa, algo perto de “marginal ou bandido”, para definir pessoas da periferia. Thuram, que é de uma delas, rebateu em uma coletiva de imprensa na seleção. E também há o caso de Karim Benzema, atacante do Real Madrid, que foi à Copa de 2014 e está ausente de 2018, segundo ele, por pressão da direita racista. Benzema tem origem argelina.
Adaptado de bbc.com.
Nas análises sobre a seleção campeã da Copa do Mundo de 2018, está presente um dilema entre a ressignificação da identidade nacional e a situação de imigrantes e de seus descendentes na sociedade francesa.
Considerando a reportagem, esse dilema está indicado na seguinte oposição: