Em 2017, a mostra "QueerMuseu. Cartografia da diferença na arte brasileira", com obras de Candido Portinari, Alberto Guignard, Lygia Clark e Adriana Varejão, entre outros, foi cancelada, em Porto Alegre, e depois vetada pela prefeitura carioca no Museu de Arte do Rio (MAR). Na sequência, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage começou um movimento para sediar a exposição no Rio de Janeiro.
A respeito do debate sobre os limites da liberdade de expressão no campo da arte, suscitado pelo episódio, leia o texto a seguir.
Há muito tempo não se viam opiniões tão divididas. A querela mostrou que quanto maior é o empenho em julgar moralmente e barrar conteúdos considerados afrontosos da arte, menor é a disposição em conhecer com profundidade o que está sendo julgado e censurado. De fato, nas redes sociais, a maioria das objeções morais conservadoras às obras expostas em Porto Alegre segue a mesma lógica de censura que se tornou frequente em meios progressistas politicamente corretos. O sinal ideológico dessas censuras manifesta-se tanto na atitude de um religioso que prega o fechamento de uma mostra de arte queer, quanto na militância de uma feminista que reivindica a exclusão de um filme considerado machista da programação do cinema. Parece óbvio, mas precisa ser dito. A concepção de uma sociedade plural depende basicamente de que grupos com pontos de vista opostos tenham direito a ser vistos e ouvidos.
Adaptado de Rodrigo C. Oliveira in O Estado de S. Paulo, setembro de 2017.
Assinale a opção que melhor apresenta o argumento principal do texto.