— Que foi que vosmecê disse?
— Eu disse que tem havido muitos combates.
— Ah!
— No primeiro os revolucionários foram mal – contou o vigário com alguma relutância, temendo afligir Bibiana.
— As forças de Silva Tavares e de Manoel Marques de Souza derrotaram os farrapos.
E no momento de pronunciar essas palavras uma ideia lhe veio à mente: “Um dia todas essas coisas hão de ser História” – refletiu ele. Lera já vários artigos e livros sobre Napoleão Bonaparte, o grande conquistador. Era já homem maduro quando, pela primeira vez, ouvira falar nesse famoso general nascido na ilha de Córsega. Fora depois acompanhando, interessado, sua carreira. Agora Napoleão se tornara uma figura conhecida em todo o mundo e estava na História ao lado de César, Alexandre, Átila e tantos outros. “mas era muito possível – concluiu – que o resto do mundo nunca chegasse a ouvir falar em Bento Gonçalves”. Não deixava de ser curioso a gente ver a História no momento em que ela estava sendo feita. Dali a cem anos, como iriam os historiadores descrever aquela guerra civil?
(VERÍSSIMO, Érico. O Tempo e o vento. In: SERIACOP, Gislaine Campos Azevedo; SERIACOPI, Reinaldo. História. São Paulo: Ática, 2005, p. 319.
Sobre A Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul, no período de 1835 – 1845, considere as proposições abaixo e assinale a alternativa CORRETA:
- Foi uma rebelião contra o Império brasileiro, constituída basicamente por pobres e miseráveis, incluindo escravos que aspiravam à liberdade, em defesa do separatismo e da proclamação de uma República Rio Grandense.
II- Foi um movimento liderado pela elite estancieira gaúcha que, além de conquistar a adesão das camadas médias urbanas e dos setores do Exército, recebeu inspiração ideológica de italianos ligados a Carbonária.
III- Foi uma guerra civil articulada por produtores do charque gaúcho que, expulsos de suas terras para a construção da estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul, revoltaram-se contra o governo regencial.