Uma geração vai, e outra geração vem; porém a terra para sempre permanece. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar donde nasceu. O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo seus circuitos. ECLESIASTES – 1, 4, 5, 6.
Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto o silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até escutar o sereno na solidão.
Agachado atrás dum muro, José Lírio preparava-se para a última corrida. Quantos passos dali até a igreja? Talvez uns dez ou doze, bem puxados. Recebera ordens para revezar o companheiro que estava de vigia no alto duma das torres da Matriz. “Tenente Liroca – dissera-lhe o coronel, havia poucos minutos – suba pro alto do campanário e fique de olho firme no quintal do Sobrado. Se alguém aparecer pra tirar água do poço, faça fogo sem piedade.”
José Lírio olhava a rua. Dez passos até a igreja. Mas quantos passos até a morte? Talvez cinco... ou dois. Havia um atirador infernal na água-furtada do Sobrado, à espreita dos imprudentes que se aventurassem a cruzar a praça ou alguma rua a descoberto.
(Disponível em http://pt.scribd.com/doc/3933833/Erico-Verissimo-O-Tempo-e-o-Vento-1-O-Continente. Acesso em 30 set. 2013.)
O início do romance de Erico Verissimo evidencia que há uma disputa em andamento, uma luta entre grupos rivais: um grupo, de que faz parte José Lírio, domina a praça e a igreja; o outro grupo situa-se no Sobrado. O grupo do Sobrado é chefiado por Licurgo Cambará, personagem que não aparece neste início do romance. Com base na leitura do texto e nas informações acima, marque a alternativa correta.